EDITAL
Conheça as 18 ações vencedoras do Prêmio Rodrigo 2026
Com o tema “Patrimônio Criativo: Inclusão Produtiva, Trabalho e Renda”, o concurso contemplou ações de excelência, realizadas entre os anos de 2023 e 2025
Publicado em 02/10/2026 13:03 Modificado em 06/10/2026 16:51 Compartilhe :
Arte: Iphan O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) divulgou nesta sexta-feira (02/10) as 18 ações vencedoras do 39º Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade. Espalhadas por 13 estados e o Distrito Federal, as iniciativas receberão R$ 40 mil cada, como estímulo e forma de reconhecimento ao trabalho desempenhado.
Confira o resultado definitivo das ações vencedoras aqui(https://www.gov.br/iphan/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/premios/premio-rodrigo-melo-franco-de-andrade/resultado-prmfa-2026/resultado-definitivo-analise-de-merito.pdf/@@display-file/file).
Este ano, o concurso bateu recorde de inscrições, com 950, das quais 904 foram habilitadas e analisadas pelas 27 Comissões Estaduais. Em seguida, 182 ações foram classificadas para a Etapa Nacional, quando a Comissão Técnica indicou as 32 que passaram para a fase final.
Com o tema “Patrimônio Criativo: Inclusão Produtiva, Trabalho e Renda”, o Prêmio contemplou ações no campo do patrimônio cultural brasileiro, realizadas entre os anos de 2023 e 2025. As iniciativas selecionadas geraram impactos na valorização de ofícios, na qualificação para atividades criativas, na comercialização e remuneração justas ou na inserção profissional da juventude, envolvendo bens de natureza material ou imaterial, reconhecidos oficialmente como patrimônio cultural ou não.
Entre as premiadas estão ações de beneficiamento de alimentos tradicionais, formação de artesãs e artesãos, marcas coletivas, feiras, festivais e roteiros de turismo de base comunitária, que transformam saberes tradicionais em fonte de trabalho e renda para comunidades detentoras.
As 18 vencedoras são de quatro regiões do Brasil, sendo quatro do Norte, oito do Nordeste, duas do Centro-Oeste e 4 do Sudeste. Elas estão divididas nas seguintes categorias:
4 por pessoas físicas, microempreendedores individuais (MEI) ou microempresas (ME);
12 por cooperativas e associações ou grupos e coletivos não formalizados;
1 por demais empresas e institutos privados; e 1 por entidade da administração pública direta e indireta municipal, estadual ou federal.
Para esta edição, pela primeira vez na história do Prêmio, ações realizadas nos municípios da Faixa de Fronteira — faixa de 150 km de largura ao longo de toda a fronteira terrestre brasileira — receberam cinco pontos extras na avaliação da Comissão Técnica, como forma de ampliar o reconhecimento para além da faixa litorânea do país. Como resultado disso, quatro ações, entre as 18 vencedoras, são da Faixa de Fronteira, fazendo relação com esse indutor de equidade regional introduzido esse ano com pontos extras para essas ações.
Além disso:
13 das ações premiadas são realizadas em municípios do interior , e sete estão em cidades de baixo Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) ;
72% das iniciativas vencedoras foram realizadas por, com e/ou para povos e comunidades tradicionais ;
89% das premiadas foram apresentadas por proponentes não brancos (pretos, indígenas e pardos) e;
Metade dos vencedores foi inscrita por associações, outras três ações são de grupos ou coletivos e três são de pessoas físicas, representando a sociedade civil organizada ;
Conheça as ações:
Nukun Mimã Xarabu: Fortalecendo a Cultura Huni Kuĩ, de Tarauacá (AC)
Conduzida pela mestra Judite Carlos da Silva Freitas, de Tarauacá (AC), e trata da transmissão dos kenês, os grafismos do povo Huni Kuĩ, registrados como Patrimônio Cultural do Brasil em 2025. Entre 2023 e 2025, foram realizadas oficinas em três Terras Indígenas, nos municípios de Jordão, Tarauacá e Feijó, uma por ano. O conteúdo incluiu desenhos, técnicas de fiação e tecelagem, cerâmica, cestaria e conhecimentos rituais associados, ensinados segundo os modos tradicionais de transmissão.
Em Feijó, o ensino partiu da coleta de materiais para a montagem do tear. Segundo a proponente, cerca de 130 pessoas participaram, a maioria mulheres. As peças produzidas são comercializadas em Tarauacá e em Rio Branco.
Casa de Frutas Íwaita Ruka, de Santa Isabel do Rio Negro (AM)
A Casa de Frutas Ítawa Ruka é uma iniciativa da Associação das Comunidades Indígenas do Médio Rio Negro (ACIMRN), em Santa Isabel do Rio Negro (AM). Ela surgiu a partir do Plano de Salvaguarda do Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro, registrado como Patrimônio Cultural do Brasil em 2010. A Casa beneficia frutas e alimentos produzidos nas roças indígenas, como banana, abacaxi e tucumã desidratados, farinha de banana pacovã, polpas e geleias, para reduzir as perdas causadas pelo isolamento geográfico e pela perecibilidade dos produtos.
Entre 2023 e 2025, participaram mulheres, jovens e agricultores de comunidades de diferentes povos indígenas da região. Os produtos são vendidos no comércio local, no turismo de base comunitária e para a alimentação escolar.
Energia limpa, vida sustentável, de Oiapoque (AP)
A ação é da Associação Indígena Palikur (AIPA), na Terra Indígena Uaçá, em Oiapoque (AP), e reúne três frentes realizadas entre 2023 e 2025 com o povo Palikur-Arukwayene. A primeira foi a Missão Gotemburgo: indígenas foram à Suécia conhecer o acervo reunido pelo etnólogo Curt Nimuendaju, em 1925, e parte do material foi digitalizada e publicada em site de acesso público. A segunda, uma oficina de cerâmica em Santarém (PA), reuniu 16 artesãos para retomar a prática ceramista do povo. A terceira, uma oficina de criação com madeira reaproveitada, teve 40 participantes e introduziu ferramentas elétricas na produção de biojoias, com participação de mulheres. A associação protocolou no Iphan pedido de registro dos Bancos e da Arte Gráfica Palikur-Arukwayene.
Escola na Roça: Inclusão Produtiva e Salvaguarda no Terreiro Roça do Ventura, de Cachoeira (BA)
A ação é da Sociedade Cultural da Roça do Ventura, em Cachoeira (BA). O Terreiro Zògbodo Malé Bogun Sejá Húnde, tombado pelo Iphan em 2015, é casa matriz da tradição Jeje-Mahi. Pela metodologia “Escola na Roça”, o terreiro recebe grupos de estudantes, pesquisadores e turistas para visitas guiadas pelos espaços rituais, fontes de água, árvores sagradas e acervo arqueológico. As vivências apresentam a cosmovisão Mahi e o dialeto Fon e incluem o almoço tradicional.
As contribuições dos visitantes remuneram os membros da comunidade que conduzem as atividades e custeiam a manutenção do terreiro. Segundo a proponente, cerca de 1.200 pessoas participaram entre 2023 e 2025.
Programa Ndezi: Formação e Capacitação Profissional para Jovens, de Vera Cruz (BA)
Desenvolvido desde 2023 pelo Instituto Cultural Bantu, em Vera Cruz, na Ilha de Itaparica (BA), o programa oferece formação cultural e profissional a jovens a partir da Capoeira Angola, cuja Roda e cujo Ofício dos Mestres são registrados como Patrimônio Cultural do Brasil. No contraturno escolar, os participantes têm aulas de Capoeira Angola e de afro-letramento e formação cultural, barbearia e educação financeira.
Nas oficinas de confecção de berimbaus, os instrumentos são produzidos para venda por uma cooperativa local. O programa mantém ainda grupos de percussão e de dança e oferece bolsas mensais. Segundo o instituto, cerca de 280 jovens participaram entre 2024 e 2025.
Tecendo Horizontes e Saberes, de Santo Amaro (BA)
A ação foi realizada em 2025 pela Associação Beneficente Ilê Axé Ojú Onirê, de Santo Amaro (BA), em Maragogipinho, polo de cerâmica artesanal do Recôncavo Baiano. A iniciativa ofereceu a mulheres da comunidade 87 horas de formação em biojoias inspiradas na tradição cerâmica local, além de oficinas, rodas de conversa e atividades de educação patrimonial sobre técnicas como modelagem manual, brunição com pedra e pintura com pigmentos naturais.
Das 40 participantes, 32 concluíram a formação. Segundo a associação, a maioria das participantes considera que a formação pode gerar ou complementar renda. As peças foram apresentadas no 3º Festival de Cerâmica de Maragogipinho e no São Paulo Fashion Week.
Sorvetes Caetanos: a força da farinhada no quilombo, de Tururu (CE)
A ação é de Francisco Joélho Caetano Lima, morador do Quilombo de Conceição dos Caetanos, em Tururu (CE), onde as farinhadas, o processamento artesanal da mandioca, ainda são feitas em casas de farinha centenárias. Entre 2023 e 2024, no laboratório da Escola de Gastronomia Social do Ceará, o proponente desenvolveu o “sorvete farinhada”, com mandioca, farinha, coco, rapadura e manteiga da terra.
O produto é vendido na sorveteria do proponente e foi apresentado em feiras e eventos. Também recebeu o Prêmio Brasil Criativo e o Prêmio Gastronomia Preta. O projeto inclui oficinas e rodas de conversa com escolas sobre o ofício da farinhada.
Projeto RAP: Ressocialização, Autonomia e Protagonismo, de Brasília (DF)
O Projeto RAP é um coletivo de Brasília (DF) que realiza atividades ligadas à cultura hip-hop com jovens de escolas públicas, unidades socioeducativas e espaços comunitários. Entre 2023 e 2025, promoveu saraus, oficinas de composição, batalhas de rima, rodas de conversa e cine-debates sobre temas como racismo, desigualdade e gênero. O projeto trata o rap, o grafite, o break e os saberes do DJ como patrimônio cultural das periferias urbanas. Segundo o coletivo, foram mais de 120 atividades e cerca de 800 jovens atendidos diretamente, e os participantes produziram mais de 60 músicas autorais.
Mestre Barrabás e a Casa do Coreiro do Maranhão, de São Luís (MA)
A ação é do mestre-artesão Luís Carlos Diniz Araújo, o Mestre Barrabás, responsável pela Casa do Coreiro do Maranhão, em São Luís (MA). A Casa trabalha com a confecção artesanal de instrumentos do Tambor de Crioula, registrado como Patrimônio Cultural do Brasil em 2007, e de outras manifestações maranhenses.