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Casa e Mercado

Terracor: a superfície como linguagem

outubro 16, 2026

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Fornecedores

Na arquitetura contemporânea, os revestimentos ultrapassam a função de acabamento para definir atmosferas, revelar a expressão dos materiais e estabelecer uma relação sensível entre espaço, luz e matéria

A arquitetura também se constrói naquilo que toca o olhar de perto. Nas nuances de uma parede, no relevo que retém a luz, nas variações de cor que se revelam ao longo do dia, o revestimento deixa de ser uma camada acessória para participar ativamente da identidade dos espaços. Mais do que concluir uma composição, a superfície estabelece ritmos visuais, sugere sensações e interfere na maneira como percebemos a escala, a profundidade e a atmosfera de um ambiente.

Essa compreensão orienta o trabalho da Terracor, cuja trajetória parte da ideia de que a parede pode ser entendida como matéria expressiva. “Revestimento é superfície, e superfície é linguagem. Para nós, nunca foi acabamento, é o que dá identidade ao espaço”, afirma Vivian Laniado, do Marketing da marca. A perspectiva desloca o revestimento de uma posição secundária para aproximá-lo das decisões fundamentais do projeto, ao lado da arquitetura, da luz e da escolha dos materiais.

Nesse contexto, a textura assume papel determinante. Superfícies que preservam irregularidades, marcas do processo e variações sutis de tonalidade recuperam uma dimensão tátil frequentemente ausente nos acabamentos uniformes. A matéria não precisa esconder suas particularidades; ao contrário, são justamente elas que conferem profundidade e singularidade à composição. “A irregularidade traz verdade, é o gesto, o que diferencia algo feito artesanalmente de algo fabricado”, observa Vivian.

A valorização dessa estética, contudo, não significa abrir mão do desempenho. Na Terracor, o desenvolvimento de texturas sob demanda procura conciliar expressividade e controle técnico, preservando nuances de relevo e tonalidade como características intencionais da superfície. A linha Terracal, por exemplo, retoma a aparência da caiação tradicional, com transparências e variações suaves, associando essa referência a uma base acrílica. O resultado aproxima a memória dos revestimentos tradicionais das exigências contemporâneas de aplicação e durabilidade.

Eco-sil 62. Artefacto D&D Shopping, projeto de Lethicia Panossian. Foto: Marcia Canapi.

Matéria, cor e atmosfera

Se a textura confere profundidade, a cor determina parte importante da percepção emocional do espaço. Tons terrosos, brancos e cinzas permanecem presentes nas escolhas de arquitetos e designers, enquanto cresce o interesse por tonalidades personalizadas, desenvolvidas para responder à identidade de cada projeto. A tendência revela uma busca por especificidade: em vez de recorrer a paletas prontas, profissionais procuram superfícies capazes de estabelecer uma relação mais precisa com os demais elementos da composição.

As coleções também permitem construir narrativas distintas. Acabamentos como CQ, Corten e Óxidos evocam referências industriais e urbanas, com tonalidades e efeitos que remetem à oxidação e à passagem do tempo. A Terracal, por sua vez, aproxima os ambientes da luminosidade e da delicadeza das superfícies caiadas, associadas à arquitetura mediterrânea. A escolha não se limita, portanto, à aparência isolada do material, mas considera a atmosfera que ele ajuda a construir.

Essa transformação pode ocorrer sem grandes intervenções físicas. Uma superfície de granulometria fina e tonalidade clara, por exemplo, contribui para uma percepção visual mais ampla em ambientes compactos; cores intensas podem introduzir energia e movimento, enquanto matizes frios favorecem uma leitura mais serena.