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20 de outubro de 2026
Muitas regras ampliam dependência europeia de madeira importada
Custos regulatórios e restrições à produção podem enfraquecer fabricantes europeus e favorecer entrada de produtos
A Europa enfrenta um dilema que pode provocar mudanças importantes na cadeia internacional da madeira e, consequentemente, na indústria moveleira. Ao mesmo tempo que amplia as exigências ambientais e os mecanismos de controle sobre a origem das matérias-primas, o continente corre o risco de comprometer a competitividade de seus próprios fabricantes e aumentar a dependência de produtos importados.
O alerta é de Silvia Melegari, secretária-geral da Confederação Europeia das Indústrias da Madeira (CEI-Bois) e da Organização Europeia da Indústria de Serrarias (EOS). Em entrevista publicada pela plataforma especializada Fordaq, a dirigente questiona se as políticas adotadas em Bruxelas estão criando condições para o crescimento da indústria ou dificultando sua capacidade de competir.
A preocupação não está nos objetivos ambientais propriamente ditos. Segundo Melegari, a indústria europeia apoia o combate ao desmatamento e à exploração ilegal de madeira. O problema estaria na complexidade das exigências, nos custos de implementação e na dificuldade de conciliar proteção ambiental com atividade produtiva.
O custo da regulamentação
Um dos exemplos é o Regulamento Europeu para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), que estabelece obrigações de rastreabilidade e diligência para produtos associados a determinadas matérias-primas, incluindo madeira.
Embora reconheça a importância do controle de origem, Melegari argumenta que as exigências inicialmente propostas criaram dificuldades operacionais, especialmente para pequenas e médias empresas.
Grandes grupos industriais possuem departamentos jurídicos, equipes especializadas e sistemas tecnológicos capazes de atender às obrigações regulatórias. Empresas menores, predominantes em diferentes segmentos da cadeia madeireira, nem sempre dispõem da mesma estrutura.
O resultado pode ser um desequilíbrio competitivo: empresas submetidas às mesmas regras enfrentam custos proporcionalmente diferentes para cumpri-las.
Outro problema é o efeito acumulado das regulamentações. Para a dirigente, novas exigências precisam considerar aquelas que já estão em vigor, evitando sobreposições, custos desnecessários e mudanças constantes que dificultam o planejamento empresarial.
O risco de perder a transformação industrial
A questão mais relevante para a cadeia moveleira está no fornecimento de madeira. Melegari observa que determinadas políticas ambientais podem dificultar o aproveitamento produtivo das florestas europeias, mesmo quando realizado de maneira sustentável.
Segundo ela, a gestão florestal ativa precisa ser reconhecida como parte da conservação e do desenvolvimento econômico. A produção de madeira e a manutenção de florestas saudáveis não deveriam ser tratadas como objetivos necessariamente conflitantes.
A dirigente chama atenção para uma consequência potencialmente mais grave: a substituição gradual da produção europeia por produtos industrializados importados.